A legaltech brasileira Enter levantou R$ 500 milhões em rodada série B e alcançou valuation de US$ 1,2 bilhão. Com isso, a startup fundada em 2023 vira o primeiro unicórnio de inteligência artificial da região e o primeiro unicórnio brasileiro desde 2024.
Fundadores Mateus Costa-Ribeiro, Henrique Vaz e Michael Mac-Vicar criaram a empresa para resolver um problema gigantesco: o volume massivo de processos judiciais no Brasil. Usando IA, a plataforma analisa documentos, organiza provas e sugere estratégias jurídicas em escala, sempre com revisão humana.
O aporte triplicou o valuation em apenas um ano e traz investidores de peso global para acelerar o crescimento.
Detalhes da rodada e investidores
A Founders Fund liderou a série B, repetindo o papel na série A de US$ 35 milhões. Kaszek e Ribbit Capital entraram pela primeira vez. Sequoia Capital, OneVC e Atlantico acompanharam a rodada.
Mateus Costa-Ribeiro, CEO e cofundador, explica que o captable foi montado de forma estratégica. Os novos fundos trazem experiência com gigantes como SpaceX, OpenAI, Anthropic, Facebook, Apple e Google.
A empresa já gerava caixa positivo. Mesmo assim, optou por captar com baixa diluição para acelerar expansão em um momento favorável do mercado de IA.
Principais números da Enter hoje:
- Mais de 300 mil casos processados por ano
- Cerca de 20 bilhões de tokens analisados diariamente
- Receita recorrente anualizada (ARR) que cresceu 13 vezes em 2025
- Atendimento a cerca de 40 grandes empresas
Como a Enter usa IA no direito
A startup combina modelos de linguagem de OpenAI, Anthropic e Google com bases proprietárias. O foco principal está no contencioso empresarial: automatiza análise de processos, identificação de padrões e sugestão de caminhos jurídicos.
O modelo de cobrança mistura pagamento antecipado pelo uso da plataforma com uma parcela variável ligada ao resultado das ações — cerca de 30% do valor depende do sucesso nos casos. Muitos processos são resolvidos em poucos meses.
A tecnologia opera em grande escala e já começa a avançar na área trabalhista, segmento com enorme volume de ações no país.
Clientes atuais incluem:
- Latam Airlines
- Azul
- Santander
- Bradesco
- Nubank
- C6 Bank
- Vivo
- SulAmérica
- Airbnb
Trajetória rápida até o unicórnio
A Enter nasceu em setembro de 2023. Mateus deixou a carreira de advogado nos EUA e um MBA em Stanford para empreender com Michael Mac-Vicar, ex-CTO da Wildlife, e Henrique Vaz, formado por Harvard.
Em menos de três anos, a empresa saiu do zero para status de unicórnio. O crescimento acelerado veio da solução prática para um problema real do mercado jurídico brasileiro, combinada com execução técnica forte.
A meta é dobrar a base de clientes até o fim de 2026. Parte dos recursos vai para contratação: a empresa planeja adicionar 80 engenheiros e chegar a cerca de 200 funcionários, com mais de 85% em áreas técnicas.
Planos de expansão
O capital será usado principalmente em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento. Uma frente importante é o acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para construir uma base histórica de processos judiciais.
No curto prazo, a startup avança na área trabalhista, já com cinco clientes ativos. No longo prazo, mira o mercado norte-americano e a construção de uma plataforma global de IA aplicada ao sistema jurídico.
Fundadores consideram o IPO como possibilidade futura, mas o foco imediato permanece em crescimento sustentável e execução.
Por que isso importa para o ecossistema brasileiro
A Enter entra em um seleto grupo de legaltechs bilionárias mundiais. No Brasil, o marco reforça o potencial de startups de deep tech e IA que resolvem problemas locais com soluções escaláveis.
Investidores globais apostam na combinação única de expertise jurídica brasileira com tecnologia de ponta. O país tem um dos sistemas judiciais mais complexos do mundo — e a Enter transforma isso em oportunidade.
A rodada sinaliza confiança no talento nacional e no amadurecimento do mercado de capital de risco para empresas de IA na América Latina.










