Draives cria sistema operacional para M&A no setor de energia distribuída e já organiza 144 ativos que somam R$ 1,5 bilhão em valor de mercado.
A explosão de pequenas usinas solares no Brasil criou um mercado bilionário, mas também bagunça na documentação e nos processos de negociação. Muitos ativos chegam desorganizados, o que afasta compradores sérios e encarece as transações.
André Figueiredo viveu esse problema na prática. Como executivo da Élis Energia, ele analisou dezenas de usinas e viu que a falta de estrutura documental virava um gargalo constante. Hoje, ele lidera a Draives, startup que lançou há um mês uma plataforma para organizar todo o ciclo de M&A no setor elétrico.
A solução usa inteligência artificial para estruturar dados, montar data rooms e identificar riscos rapidamente, tornando as negociações mais rápidas e seguras.
O que motivou a criação da Draives
A Lei de Geração Distribuída de 2022 abriu portas para qualquer pessoa investir em pequenas usinas solares de até 5 MW. Com incentivos e uma janela regulatória favorável, o segmento viveu um boom parecido com uma corrida do ouro. Grandes fundos como Pátria, Brookfield e BlackRock entraram ao lado de investidores independentes, como médicos e produtores rurais.
O resultado foi uma avalanche de ativos novos, mas com governança ainda artesanal. Documentos desorganizados, passivos regulatórios mal mapeados e processos manuais aumentavam o custo e o tempo de qualquer transação.
André Figueiredo identificou a dor quando atuava como head comercial na Élis Energia, investida do Pátria. Ele participou da construção de 40 usinas e liderou aquisições. Muitos vendedores entregavam ativos pouco preparados, o que gerava rejeição imediata por parte dos compradores.
“Como comprador, eu nem olhava ativos muito desorganizados. O trabalho de diligência não compensava o tamanho do negócio”, conta o fundador.
Como funciona a plataforma de IA para energia
A Draives se apresenta como um “sistema operacional para M&As de energia”. A plataforma organiza o fluxo completo de transações com automação e inteligência artificial proprietária.
Principais funcionalidades já disponíveis:
- Organização automática de data rooms em até 10 minutos, com classificação inteligente de documentos e criação de pastas padronizadas.
- Pré-diligência via IA que mapeia red flags regulatórios, ambientais e fundiários em minutos.
- Integração de dados operacionais das usinas em tempo real.
- Piloto de Open Finance para acompanhar movimentações financeiras dos ativos.
Hoje, 144 ativos já estão cadastrados na plataforma. Juntos, eles representam 425 MWp de potência e cerca de R$ 1,5 bilhão em valor de mercado.
A ideia vai além da simples organização documental. A startup quer transformar a ferramenta em um “oráculo do ativo”, reunindo em um único lugar informações regulatórias, operacionais, financeiras e técnicas. Isso permite que geradores usem a plataforma mesmo sem intenção imediata de vender, apenas para melhorar a gestão diária.
Quem está por trás da startup
A Draives foi fundada em janeiro de 2025 por André Figueiredo, que traz experiência operacional profunda no setor. O time atual conta com sete pessoas, sendo seis focadas em tecnologia.
Além de André, os sócios Ulysses Castro e Roberto Navarro atuam como investidores e conselheiros. Ulysses tem background em M&A no setor elétrico, enquanto Roberto traz expertise em geração centralizada. A composição societária foi pensada para unir capital e conhecimento específico do mercado.
Por que o momento é estratégico
Embora a construção de novas usinas de pequeno porte deva desacelerar com a redução de incentivos, o mercado caminha para uma forte fase de consolidação. Ativos existentes precisam de organização para atrair compradores institucionais e fundos.
A Draives quer ser a infraestrutura digital que facilita essa onda de consolidação. O foco inicial está em boutiques de M&A e bancos que atuam no setor, mas a plataforma também atende geradores independentes.
Benefícios concretos que a plataforma entrega:
- Redução drástica no tempo de diligência inicial.
- Menor custo de transação para ativos de menor porte.
- Maior transparência e governança para vendedores.
- Dados centralizados que facilitam tanto a venda quanto a gestão operacional.
- Identificação precoce de riscos que poderiam inviabilizar um negócio.
Planos de crescimento e modelo de negócio
A startup opera em bootstrap, sem rodada externa até o momento. O plano é crescer com receita própria e buscar capital mais adiante, quando tiver tração e valuation mais robustos.
Para 2025, a meta é multiplicar o faturamento em 10 vezes. A empresa mira tanto ativos menores quanto projetos de grande porte, onde a ausência de uma solução tecnológica dedicada ainda é evidente.
A ambição é clara: tornar-se o parceiro tecnológico preferencial de boutiques de M&A e instituições financeiras que atuam no setor elétrico brasileiro.
O futuro do M&A em energia distribuída
O mercado de geração distribuída amadureceu rapidamente. O que antes era um ambiente fragmentado e informal agora atrai players sofisticados que exigem padrões profissionais de governança e documentação.
Plataformas como a da Draives chegam exatamente nesse momento de transição. Ao reduzir barreiras operacionais e de informação, elas podem acelerar o volume de transações e elevar a qualidade dos ativos negociados no Brasil.
A combinação de IA com conhecimento profundo do setor elétrico posiciona a startup para capturar valor em um mercado que deve crescer ainda mais nos próximos anos com a consolidação de milhares de usinas espalhadas pelo país.










