A inteligência artificial promete revolucionar negócios com eficiência e automação. Mas um novo relatório da Fortinet revela o lado perigoso dessa tecnologia: ela está armando cibercriminosos com ferramentas poderosas para atacar em escala inédita.
Especialistas alertam que a IA reduz barreiras técnicas e acelera golpes sofisticados. No Brasil, os números de 2025 já mostram o impacto real dessa transformação.
Frederico Tostes, Country Manager da Fortinet Brasil, explica em entrevista exclusiva como a tecnologia está mudando o jogo da cibersegurança.
Como a IA amplifica os ataques cibernéticos
Os criminosos agora contam com recursos que antes exigiam equipes especializadas e muito tempo. Ferramentas de IA geram códigos maliciosos rapidamente, criam mensagens de phishing hiperpersonalizadas e adaptam estratégias em tempo real.
Principais formas como a IA potencializa ameaças:
- Phishing avançado: mensagens que imitam perfeitamente comunicações de bancos ou empresas, com linguagem adaptada ao perfil da vítima.
- Geração de malware: códigos criados ou modificados em minutos, testados automaticamente contra antivírus.
- Ataques em nuvem: exploração mais eficiente de vulnerabilidades em ambientes híbridos e multi-cloud.
- Automação total: testes de diferentes vetores de ataque até encontrar o ponto fraco.
Tostes destaca que a própria IA usada para desenvolvimento de aplicações pode introduzir falhas de segurança sem que os programadores percebam. Isso acontece porque os modelos treinam em bases públicas que frequentemente contêm códigos vulneráveis ou maliciosos.
Os números alarmantes no Brasil
O relatório da Fortinet traz dados preocupantes sobre o cenário brasileiro em 2025:
- 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos registradas no país.
- 743 bilhões foram ataques DDoS, capazes de derrubar serviços essenciais.
- 187,5 milhões de atividades de distribuição de malwares, um salto de 535% em relação a 2024.
Esses números refletem não apenas o aumento de volume, mas também a sofisticação. Ataques que antes levavam dias agora ocorrem em horas ou minutos.
Por que a IA não tem “freios morais”
Diferente de humanos, os modelos de inteligência artificial operam puramente por probabilidades e padrões de dados. Eles não avaliam consequências éticas ou riscos.
“Não é uma mente que pensa. É cálculo matemático”, resume Tostes. Essa ausência de julgamento permite que criminosos usem a tecnologia sem restrições internas.
Essa característica torna os ataques mais imprevisíveis e difíceis de detectar por sistemas tradicionais de segurança.
O cibercrime virou indústria profissional
O relatório aponta outra transformação estrutural: o cibercrime deixou de ser atividade isolada de hackers individuais. Hoje funciona como uma rede organizada, com divisão de tarefas, ferramentas compartilhadas e modelos de negócio (como ransomware-as-a-service).
Características dessa nova era do cibercrime:
- Integração de múltiplas técnicas em um único ataque coordenado.
- Uso de IA para orquestrar campanhas em larga escala.
- Adaptação instantânea quando uma abordagem falha.
- Exploração comercial de vulnerabilidades recém-descobertas.
Enquanto isso, muitas empresas ainda dependem de soluções de segurança fragmentadas. Diferentes ferramentas de diferentes fornecedores criam lacunas que criminosos exploram com precisão.
Desafios reais para as empresas brasileiras
A corrida entre defesa e ataque está desigual. Criminosos operam de forma unificada e veloz. Do outro lado, organizações enfrentam:
- Dificuldade de integração entre múltiplas ferramentas de segurança.
- Falta de profissionais qualificados em cibersegurança com conhecimento em IA.
- Orçamentos limitados para atualizar infraestruturas contra ameaças emergentes.
- Exposição crescente em ambientes de nuvem e trabalho remoto.
Tostes alerta que empresas com arquiteturas de segurança desestruturadas ficam especialmente vulneráveis a ataques combinados.
Estratégias essenciais de proteção
Para se defender nesse novo cenário, as organizações precisam adotar abordagens mais avançadas:
- Segurança integrada: plataformas unificadas que combinam visibilidade total da rede, endpoints e nuvem.
- Detecção baseada em comportamento: sistemas que identificam anomalias em tempo real, mesmo em ataques nunca vistos antes.
- Treinamento contínuo: conscientização de funcionários sobre novas táticas de phishing geradas por IA.
- Atualizações automáticas: processos que corrigem vulnerabilidades rapidamente.
- Testes regulares: simulações de ataques com uso de IA para identificar fraquezas.
Empresas que investem em automação defensiva e inteligência de ameaças conseguem reduzir significativamente o tempo de resposta.
O futuro da cibersegurança com IA
A inteligência artificial não vai desaparecer. A solução está em usar a mesma tecnologia a favor da defesa. Ferramentas de IA já ajudam a prever ataques, analisar padrões em volumes massivos de dados e responder automaticamente a ameaças.
Especialistas como Tostes defendem uma abordagem equilibrada: reconhecer os riscos da IA enquanto se aproveitam seus benefícios para fortalecer a proteção.
Dicas práticas para líderes de TI:
- Avalie sua postura de segurança atual contra ameaças baseadas em IA.
- Priorize soluções com recursos nativos de inteligência artificial.
- Invista em treinamento especializado para equipes.
- Estabeleça parcerias com provedores de cibersegurança atualizados.
- Monitore continuamente os relatórios do setor sobre novas ameaças.










